por Vinicius Konchinski:
"Quando as escolas de todo o país estão fechadas por conta da Copa do Mundo, reivindicaram uma educação mais inclusiva, com ensino superior gratuito"
Centenas de pessoas reuniram-se hoje, 16, no bairro de Soweto, para relembrar a luta de jovens sul-africanos contra o apartheid, em um dos feriados mais importantes do calendário nacional, o Dia da Juventude. Quando as escolas de todo o país estão fechadas por conta da Copa do Mundo, não deixaram de exigir mais mudanças, e uma das reivindicações mais ouvidas foi a defesa de uma educação mais inclusiva.
A manifestação acontece exatamente 34 anos após a primeira vítima do regime, o estudante de 12 anos, Hector Pieterson, assassinado por policiais numa série de ações repressivas em Soweto. Na ocasião Pieterson lutava, junto com os amigos, contra o ensino do africâner nas escolas do país. Semelhante ao alemão, o africâner era falado por imigrantes brancos que colonizaram a África do Sul. O seu aprendizado era imposto à população sul-africana, o que acabou gerando uma série de protestos de estudantes do país na década de 70.“Queremos universidade grátis para todos”, disse a jovem Zanele Ndlovu, de 17 anos, em entrevista à Agência Brasil. “Poucos têm condição de pagar para frequentar uma universidade”. Segundo ela, os estudantes sul-africanos têm educação gratuita até terminarem o que equivale ao ensino médio brasileiro. Depois, precisam ser aprovados em exames de seleção das universidades e pagar pelo ensino superior.
Therato Ledwaba, de 19 anos, também reivindica a gratuidade do ensino superior. Para ela, o acesso de mais estudantes à universidade possibilitaria que a África do Sul não sofresse tanto com problemas como a aids e a gravidez precoce. “Mais educação, menos problemas”, resumiu.
Agência Brasil
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