por Alex Pinheiro:
As crianças já voltaram às aulas. Seus pais querem sempre o melhor, entretanto gastar tempo com eles pode ser tão importante quanto o material escolar que volta e meia tem que comprar. Um recente estudo divulgado pela Universidade de Notre Dame, no sul de Indiana, prova que a convivência em família tem impacto sobre como os filhos desenvolverão a leitura, escrita e aritmética, uma vez que o exercício da aprendizagem exige atenção e dedicação.
"Pesquisa liderada pelo professor Mark Cummings, Universidade de Notre Dame, mostra que o apoio familiar é um dos fatores mais importantes no sucesso das crianças na escola"
Mark Cummings, Ph.D. em Psicologia e responsável pela gestão dos 10 anos da pesquisa que foi publicada no prestigiado Journal of Child Development, trabalhou em conjunto com colegas da Universidade de Rochester acompanhando, de perto, 300 famílias. O estudo se iniciou quando as crianças estavam no jardim de infância e acompanhou todo o desempenho emocional na escola.
"A principal coisa que o estudo mostra é que os padrões de funcionamento da família dizem respeito à forma como as crianças se comportam na escola", diz o pesquisador. Assim, provou-se que o sucesso de uma criança tem mais a ver com a inter-relação familiar do que com aspectos econômicos.
Um primeiro grupo de famílias foi descrito como “família coesa”. "A família coesa é formada por pessoas que de fato convivem entre si. Há muita disponibilidade emocional, carinho, apoio, coesão", expõe Dr. Cummings.
O segundo tipo de família foi nomeado como “enredados”. O professor explica que são como “Raymond e Companhia”, uma famosa série norte-americana. “Eles têm um monte de conflitos, mas também muito calor”, diz ele. São ainda, segundo o pesquisador, grupos que sofrem forte interferência dos pais.
Já o terceiro grupo analisado foi rotulado de “desprendidos”. Uma construção familiar em que os indivíduos são independentes. “A família desprendida simplesmente não têm muita proximidade entre si. Os pais não estão realmente disponíveis para as crianças e há uma quantidade justa de intromissão, mas não há muitos conflitos, porque eles simplesmente não cuidam uns dos outros", diz o Dr. Cummings.
Dividir as famílias em três categorias específicas tornou possível acompanhar e relacionar o modo como as crianças reagiam na escola. Crianças de “famílias coesas” têm transição fácil de turmas e se envolvem com facilidade na escola. Os “enredados” entram na escola sem grandes problemas, porém mais tarde desenvolvem bastante ansiedade, depressão e postura de alienação. Crianças “desprendidas” têm muitos problemas na escola e, segundo o Dr. Cummings, representam altíssima possibilidade de perpetuarem o comportamento na construção de suas famílias.
"Nós pensamos que este ambiente familiar [desprendidos] deixa crianças propensas a desenvolverem problemas como agressividade, arrogância, entre outros, formando um comportamento inadequado, que os exclui do ambiente escola", diz ele. "Em suas famílias, as pessoas não se relacionam muito bem, o que influencia em sua capacidade de fazer amizades", completa.
A pesquisa revela a importância de toda a unidade familiar, não somente do pai e da mãe, na formação da criança. "Nós precisamos olhar para como os pais se relacionam entre si e com seus filhos. A postura adotada por todos os membros da família", conclui.
Canais
Center for Children and Families
E. Mark Cummings
Fonte: WNDU (NBC)
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