"Precisamos colocar o diploma na parede e a paixão na rua. Chega de se esconder na coleção de certificados. É preciso agir!"
O Turismo no Brasil preocupa. Os grandes eventos se aproximam e vivemos o vício da propaganda enganosa. Vendemos nossos destinos e não consertamos nossa casa para receber as visitas. Até mesmo algumas coberturas jornalísticas mais parecem com recepção de agência de viagens, como também salta aos olhos a infeliz propaganda de destinos turísticos que, em verdade, não atendem as necessidades dos seus próprios cidadãos.
Pensar o sistema turístico como uma engenharia que precisa do comerciante local, da dona de casa na varanda, do ambulante legalizado e do taxista orientado, é necessário. Receber pessoas é coisa pra se levar a sério. Deve ser encarado com responsabilidade, promovendo capacitação para "as pessoas na sala de jantar" e, principalmente, reconhecendo a importância dessa discussão no ensino básico, lugar em que se deve perdurar um regime de formação para receber esses aventureiros.
Entretanto, o Turismo é uma atividade imatura no Brasil. O que se encontra em pencas são conjuntos turísticos que abriram suas portas muito antes da formação técnica na área. Cidades históricas, complexos de entretenimento, destinos balneários, dentre outros, vivem às margens da ciência turística ao mesmo tempo em que surge formação específica para essa atividade econômica. A graduação superior em Turismo começa só na década de 70. Segundo Rejowski (1996), o primeiro curso superior de Turismo no Brasil é criado por uma instituição de ensino privado, a então Faculdade de Turismo do Morumbi, em 1971.
Isso deve explicar algumas dissonâncias, porém não pode justificar a letargia. Hoje presenciamos uma realidade de pólos receptivos formando profissionais, em vez de importá-los, num exercício inteligente de geração de renda e consequente sustentabilidade. Ou seja, o poder público não consegue mais omitir sua vontade política em relação à vocação turística do local.
Essa atmosfera de cobrança precisa continuar. Essa aura subliminar travestida de "forasteiros invadindo minha cidade" precisa mudar. Para isso, os agentes do trade devem assumir sua responsabilidade social de agentes multiplicadores para a atividade desvendando, aos incautos, seus impactos e benefícios. Sem ocultismo, nem imagens paradisíacas. Precisam sair de trás de seus diplomas.
Não se pede para a visita levantar os pés a fim de que varramos o pó de nossa casa. Porém, isso ainda acontece em muitos lugares. Está na hora do trade turístico cobrar ação e agir. Converter a avareza em esforço coletivo para entrar nas escolas e entidades de classe. Afinal de contas, todos nós queremos as pessoas em nossa sala de jantar.
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