Quem faz Turismo é turista, SIM!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Editorial:

"Quem passa pelos núcleos de formação profissional em Turismo está trabalhando no setor?"


Não é de hoje que estudantes de Turismo enfrentam o preconceito no ambiente acadêmico. Com frequência ouvem piadinhas a respeito da escolha profissional e as engolem, geralmente, sem argumentar. “Quem faz Turismo é turista?”. E assim vão se divertindo os desagradáveis comediantes de plantão.

Mas não colecionamos muitas vitórias a ponto de “comprarmos a piada”. No mês de outubro o Instituto Brasileiro de Turismólogos (IBT) protocolou, no Ministério do Trabalho e Emprego, pesquisa realizada para levantar dados sobre a situação do turismólogo, a fim de acelerar o processo de regulamentação da atividade. Do universo pesquisado, segundo o IBT, de 4.416 profissionais trabalhando em todo o país 84% se formaram entre 2001 e 2010; dos que atuam na área, 85% estão no setor privado e apenas 15% no setor público. No entanto, o dado mais assustador revela que 41,5% não trabalham no Turismo.

Numa reflexão rápida, notamos que o poder público, embora com um crescimento considerável e o planejamento dos grandes eventos esportivos em pleno vapor, ainda não emprega esse profissional. Noutro ponto, percebemos o alto índice de profissionais formados em Turismo que, frustrados com sua escolha, estão contribuindo em outros setores da economia, ou ainda os lamentáveis casos em que, mesmo sem identidade com o curso, o indivíduo se forma “só pra ter um diploma”.

Num momento em que a geração Y começa sua ascensão à gestão de grandes negócios, refletindo todos os aspectos de sua principal característica, a autonomia, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano questionou o trabalho na construção da dignidade humana. Os candidatos, em sua maioria formados pela subsequente geração z, tiveram dois textos de apoio para desenvolver o tema, um deles tratava do trabalho escravo contemporâneo e outro discutia o futuro do mercado de trabalho.

O futuro do mercado é incerto, ao passo que o presente se mostra perturbador. Pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE atesta que, durante o ano de 2007, o Turismo empregou 5,9 milhões de pessoas que ganharam, juntas, cerca de R$ 35,9 bilhões em rendimentos, trabalhando desde o planejamento de viagens até no atendimento receptivo do turista. Quem ganhou esse dinheiro? Gente que estará aposentada em 15 anos?

É verdade que o setor precisa amadurecer, como na questão sobre a informalidade que caracteriza muitas ações, por exemplo. Porém, não justifica a evasão. Enquanto não se organizarem os núcleos de formação profissional com um discurso mais realista e menos quixotesco sobre a área, vão se perdendo grandes talentos para o mercado. Vão se transformando em turistas, os estudantes de Turismo.

E assim vamos acompanhando o trade turístico envelhecer dentro do berço.


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