OPINIÃO: Qual a importância de um currículo?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

por Alex Pinheiro:

"Qual a melhor maneira de se expressar num currículo? O mercado de trabalho está cheio de gente assessorada por lan houses e avisos de 'fasso seu currículo'"


A política social de amparo às bases da pirâmide diminui a pobreza, mas não o desemprego. Estudos recentes sobre os impactos da crise internacional no Brasil nos mostra que entre janeiro de 2005 e março de 2009, por exemplo, a taxa de pobreza entre os desempregados caiu 16,3%, enquanto o número de desempregados diminuiu somente 5,5%. Esse mesmo cenário persiste no momento da crise quando, de outubro-2008 a março-2009, a taxa de pobreza entre os desempregados caiu 2,5%, enquanto o número de desempregados aumentou 16,5%.

Também deve-se considerar, para análise do desemprego e inversão dos valores contratantes, o mercado informal (empregados sem carteira assinada) e suas características. Grosso modo, trata-se de um trabalhador que isenta o contratante de qualquer responsabilidade, e isso é atrativo para um mercado soterrado em encargos fiscais. Portanto, quando aumenta a taxa de desemprego aumenta a taxa de informalidade, uma vez que esse indivíduo vai procurar qualquer ocupação para sua sobrevivência.

Esse panorama lamentável tem conexão óbvia com a educação precária no país. Um ciclo que tira o indivíduo da escola e joga num ambiente onde sequer sabe elaborar um currículo simples. Uma atmosfera competitiva que tem projetado a rotatividade de empregos e, nas vagas existentes, não encontra profissional que consiga “se vender”, embora tenha qualidades técnicas para assumí-las. Então, uma parcela de ocupação permeada pelos mesmos trabalhadores, em sistema de rodízio (POCHMANN, 2009).

Nessa esfera percebemos uma economia bloqueando espaço para o jovem que, de formação cada vez mais deficiente, não sabe se expressar através do currículo, numa clara exposição da falha educacional. Um número cada vez mais crescente de pessoas sendo assessoradas por lan houses e avisos de “fasso seu currículo”. No entanto, “fazer” um cidadão consciente de seu valor, e sua relação espacial, é muito mais complexo. Formá-lo vai além do suporte social no fim da linha, é preciso uma estrutura pedagógica orientada no sentido de um indivíduo sensível às suas necessidades básicas, seus anseios identitários e sua relevância na comunidade. É preciso “cultura no currículo”.

Para atingir tal status surge o conceito de um currículo focado nas aquisições culturais do novo profissional, durante seu processo formador. Assim, nessa tendência de mercado sustentável, educar na contramão do capitalismo pode ser a saída para uma alienação constante dos indivíduos em relação a seus valores cidadãos. Educar na contramão do capitalismo pode ser a salvação do próprio capitalismo.


Referência:
POCHMANN, Marcio. O trabalho na crise econômica no Brasil: primeiros sinais. Vol. 23, n. 66, 2009.


Compartilhe:

 
Copyright©2011 - Clube Inteligente - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação,
impresso ou eletrônico, sem comunicar o Clube Inteligente - Turismo (Inciso I do Artigo 29 Lei 9.610/98)
Web Analytics