“Rio – o filme” é a realização pessoal de um brasileiro

quinta-feira, 10 de março de 2011

por Alex Pinheiro:

"Com um filme de animação de circulação mundial, cariocas invejam brasileiros de outros destinos turísticos que raramente veem suas cidades retratadas com tanta mídia quanto o Rio de Janeiro"



O Brasil tem essa influência estranha sobre seus filhos. Brasileiros vão morar no exterior, geralmente por não terem oportunidades cativantes por aqui, e acabam sempre gratos e cheios de saudades da terra mãe. A mesma coisa acontece com o talentoso animador Carlos Saldanha que, aos 22 anos, decidiu que iria fazer cursos de computação gráfica nos EUA. Casou-se às pressas e pediu aos familiares e amigos, como presente, dinheiro para a viagem. Chegou até a fazer mestrado em Animação em Computação Gráfica, na New York School of Visual Arts (NYSVA), novamente com dinheiro emprestado por amigos.

Os bons resultados viriam em breve. Quando ainda era estudante fez o curta-metragem "Time for Love" e acabou chamando a atenção de Chris Wedge, instrutor do mestrado na NYSVA, que o convidou para trabalhar em sua produtora independente, a Blue Sky Studios. Participou de vários projetos, como o ganhador do Oscar de melhor curta-metragem de animação, Bunny; a franquia de sucesso A Era do Gelo; e o divertido Gone Nutty, um curta-metragem sobre o desastrado e famoso esquilo Scrat, personagem que criou para interlúdios no primeiro A Era do Gelo, e acabou roubando a cena.

Cartaz de divulgação do filme na França
Comprada pela 20th Century Fox, a produtora passou a ser responsável pela produção e comércio de filmes de animação tendo lançado além da série “Era do Gelo”, “Robôs” e “Horton e o Mundo dos Quem”. Agora a bola da vez é o hipnotizante “Rio, o filme”, um longa sobre o domesticado Blu, uma arara muito rara que vive na pequena cidade de Moose Lake, Minnesota, e acredita ser a última de sua espécie, mas a história toma outros rumos quando ele descobre que há um outro exemplar fêmeo, vivo. Então parte para o Rio de Janeiro, "terra distante e exótica", em busca de respostas, sem a menor ideia da aventura que o espera.

Blu, criado em gaiola, morre de medo de altura, assim como o brasileiro Carlos Saldanha, que dirige a animação e quis compartilhar a experiência turística que o Brasil provoca a quem o visita pela primeira vez. Assim, ambientou o filme no destino internacional brasileiro mais famoso e contraditório; todas as cores, música, diversidade cultural e beleza natural se fundem com a criminalidade personificada, no filme, pelos traficantes de animais silvestres que acabam capturando e unindo Blu e sua colega de espécie.

A produção foi acertada antes da escolha do Brasil para sede da Copa do Mundo FIFA 2014 e do sucesso de “A Rede Social”, felizes coincidências que estão ajudando a promovê-la pois tem a voz de Jesse Eisenberg emprestada ao protagonista. Além dele, trabalham no filme Anne Hathaway (Jade, a fêmea da espécie), Tracy Morgan, George Lopez, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx, entre outros. A trilha ficou por conta de Sergio Mendes, outro brasileiro reconhecido internacionalmente, que convidou Carlinhos Brown e Will.i.am, do Black Eyed Peas.

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O filme é uma homenagem à Cidade Maravilhosa que já ganhou, há muitos anos, o Zé Carioca, dos estúdios Walt Disney. Entretanto, decepciona brasileiros de outros destinos turísticos que raramente veem suas cidades retratadas com tanta mídia quanto o Rio de Janeiro. Do outro lado, os cariocas agradecem e retribuem modernizando e ampliando seu mercado turístico.







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