"Cheios o ano todo, Turismo do Rio de Janeiro não sabe mais o que é baixa temporada. Como chegaram nessa situação? Quais as lições dos principais destinos da região?"
Combater a sazonalidade no Turismo é uma tarefa difícil e compreende uma série de fatores trabalhando juntos. Seria muita ingenuidade acreditar que a construção de monumentos, parques e complexos turísticos é suficiente para ocupar hotéis, restaurantes e gerar renda nessa cadeia produtiva.
Com frequente exposição na mídia, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (Abih-RJ) afirma que já não sabem mais o que é baixa temporada em seus principais destinos.
A comparação da ocupação média nos últimos dez anos mostra que o Rio de Janeiro está, praticamente durante todo o ano, em regime de alta temporada. “Com o mercado corporativo representando cerca de 65% da nossa ocupação, aqueles períodos chamados de baixa temporada não existem mais, o que é o ideal. Nós temos uma ocupação linear", diz Alfredo Lopes, presidente da Abih-RJ.
Neste caso existe um histórico de ações estratégicas que motivam o Turismo na região. Especificamente em 2011 temos, por exemplo, o lançamento da animação "Rio", com distribuição mundial. Mas não se pode esquecer um trabalho cultural que acontece há muitos anos por meio das telenovelas brasileiras, aguçando o turismo doméstico e internacional, já que o Brasil é um dos maiores exportadores desse produto no mundo.
Os eventos e feriados também fazem parte desse processo de sedução no Turismo. São datas de superlotação que atraem o turista e, se bem organizadas, deixam boas impressões e o provocam para retornar numa outra oportunidade.
A rede hoteleira carioca, por exemplo, já garantiu antecipadamente 91,95% de ocupação para a Semana Santa. Em comparação ao mesmo período do ano passado, a ocupação subiu cinco pontos percentuais. Em 2010, os números sinalizavam ocupação de 84,54% para a mesma data.
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O interior do estado também mostra uma ocupação “excepcional”, segundo Alfredo Lopes. Cidades como Conservatória, no Médio Paraíba, e Paraty, no litoral sul, conhecido como Costa Verde, já estão com 100% e 90% de ocupação para a Semana Santa, respectivamente. Mesmo na região serrana, que sofreu a devastação das chuvas fortes de janeiro, o nível de ocupação se aproxima de 70%. “Está parecendo que nós vamos ter uma ocupação cheia no estado do Rio de Janeiro todo”.
“O Rio de Janeiro está na moda e nós esperamos que, com esse calendário fortificado e com o Paul McCartney em dois eventos, a ocupação média anual chegue perto de 78%”, prevê. "A sazonalidade é muito ruim para a organização, para o orçamento, para tudo. E, com essa ocupação linear, você tem como prestar um serviço melhor, de forma adequada. Isso é bom para todo o segmento”, complementa.
Basicamente o que o presidente da Abih-RJ quis dizer é que destinos turísticos bem gerenciados: com gestão de atrativos, manutenção de patrimônio, criatividade em eventos e mão-de-obra qualificada; consegue eliminar a baixa temporada e ampliar o setor, maximizando renda e tornando a atividade realmente sustentável.
com informações da Agência Brasil
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