"Depois da crise global de 2009, o Turismo teve uma pronta recuperação e se prevê contínuo crescimento; um comportamento de viagem incorporado à sociedade"
O Turismo saiu fortalecido de cada crise mundial das últimas décadas: a do petróleo no anos 80; da Guerra do Golfo e desintegração da Ioguslávia nos anos 90; o crash financeiro asiático, o 11 de setembro e a Guerra do Iraque no início do milênio, e a recente crise global. Segundo Carlos Vogeler, representante para as Américas da Organização Mundial do Turismo (OMT), a recuperação do setor tem sido, em todos os casos, surpreendente.
“O ritmo de recuperação demonstra que é um dos setores econômicos mais dinâmicos, bem enraizado nos hábitos das sociedades desenvolvidas, e tem se convertido em uma necessidade sociológica tão profundamente assentada no comportamento humano que não parece haver crise capaz de dissuadir os turistas de seus desejos de viajar”, expôs Vogeler na Feira Internacional de Turismo de Cuba, realizada no início deste mês em Havana, Cuba.
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| França é destino campeão em recepção de turistas |
Num universo de 935 milhões de pessoas, segundo números de 2010, os viajantes que saem de seus países gastam, atualmente, cerca de 2,5 mi de dólares por dia. O turismo doméstico é quatro vezes maior. Por isso, estimam que há 4 milhões de turistas em todo o mundo, no período analizado, a maioria percorrendo seus próprios países.
O ano de 2009 foi o pior, em décadas, para o setor. Os turistas gastaram menos e viajaram a lugares mais próximos, por períodos mais curtos. Em 2010, a maioria esperava uma curva de crescimento que se pareceria a um “U”, mas se encontrou um “V”: a atividade cresceu rapidamente a 6,7%. Entre as regiões que impulsionaram essa recuperação se destacou a América do Sul. Segundo Vogeler, o caso do Brasil foi um dos mais chamativos em relação à capacidade emissora de viajantes, por seu crescimento de 52% em 2010. Também foi destaque o aumento de 14,2% na Argentina.
O impulso americano
A chegada de turistas internacionais no continente americano alcançou um pico histórico em 2010, com um crescimento de 7%, alcançando os 150 milhões de turistas, 10 milhões a mais que no ano da crise, 2009, e 2,5 que no melhor registrado, 2008. O crescimento maior foi justamente na América do Sul: 11%. “Muitos destinos estão se comportando notavelmente bem, o que está impulsionando as viagens intra-regionais. O Real (R$) está forte e proporciona a saída de mais turistas do Brasil para o exterior, e isto favorece os países receptores da região. Um resultado que se observa no Uruguai, onde as chegadas da Argentina tem se recuperado e as provenientes do Brasil seguem aumentando. Peru registrou um aumento de 10% no turismo internacional, apesar do fechamento de Machu Picchu no início de 2010”, disse o diretor da OMT.
O crescimento será mais paulatino nos próximos anos. “São tempos de grandes incertezas e muitos desafios. Espera-se que os níveis de emprego cresçam até 2015. Isto afetará a economia e o consumo. Há que se somar, entre os desafios do setor, a inflação pelo petróleo e a pressão fiscal em alguns países, ou seja, a tendência em repassar impostos aos turistas”.
A OMT prevê que as chegadas de turistas internacionais aumentem este ano entre 4 e 5% “apesar dos recentes acontecimentos no Oriente Médio e no norte da África, além dos trágicos eventos no Japão. Não parece que, por isso, se vá mudar a previsão global”, afirmou.
Das três regiões mundiais mais importantes para o Turismo – Américas, Europa e Ásia – o Velho Continente tem o maior fluxo internacional, com 50% de receptivo e 48% de emissivo. A França recebe 77 milhões de turistas ao ano e é o principal destino. Em seguida, Estados Unidos e China, que desbancaram a Espanha da terceira posição. Com relação aos mercados emissores, Alemanha, com uma maior tradição de viagens internacionais, segue na liderança, logo após vem Estados Unidos, Reino Unido, China, França e Canadá.
Estima-se que serão 1,5 milhões de pessoas viajando em 2020, no lugar das 935 milhões atuais. A OMT está estudando o movimento turístico para a década seguinte, del 2020 a 2030, e fornecerá as primeiras previsões em outubro, durante seu encontro anual na Coréia.
La Nación
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