MTur teria evitado crise se não ignorasse decreto presidencial

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

por Alex Pinheiro:

"Para o ministro-chefe da CGU, problemas no MTur seriam evitados se o decreto presidencial que orienta os ministérios a se informarem, de forma independente, sobre ONGs, fosse respeitado"



A crise no Ministério do Turismo (MTur), desencadeada por suspeitas de fraude em convênios firmados com organizações não governamentais (ONGs), poderia ter sido evitada se o órgão respeitasse um decreto presidencial, editado em 2007, e uma portaria interministerial que estabelecem as regras para esse tipo de contrato. Foi o que disse hoje, 18, o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, ao participar de evento no Itamaraty.

Frederico da Costa Silva, oficialmente desligado do MTur hoje, 18
De acordo com ele, o Decreto 6.170, de 2007, que começou a vigorar em 2008, e a Portaria Interministerial 127 estabelecem a necessidade do uso de sistema eletrônico, independente, para escolha das ONGs com quais serão feitos convênios. Em janeiro, assinalou, todos os ministros receberam uma circular determinando que o decreto e a portaria fossem cumpridos.

Dessa forma, disse o ministro, os órgãos públicos têm mais informações sobre as entidades, o que facilita identificar eventuais tentativas de fraude. “Isto poderia evitar situações como essa que aconteceu no Ministério do Turismo".

“Na maioria das vezes, a indicação é feita mediante ofício do parlamentar autor da emenda, como ocorreu no Turismo. Mas o ministério não fica vinculado a essa indicação. O ministério está vinculado às regras do decreto”, disse Hage. A CGU, informou, está fazendo um novo alerta aos ministros sobre as regras que devem ser seguidas para assinatura de convênios com ONGs.


Estamos alertando os ministros que os ministérios não são obrigados a aceitar a ONG indicada pelo parlamentar, mediante ofício, como muitas vezes acontece”, destacou Hage. “A única coisa que vincula o ministério é se a ONG estiver indicada no texto da Lei Orçamentária, no corpo da lei.”

Outra medida para evitar fraudes, segundo Hage, é a fiscalização do andamento de cada contrato firmado entre os ministérios e as ONGs. “Os ministérios têm que designar um fiscal de contrato. Não é possível repassar o dinheiro e depois só saber do resultado na prestação de contas.”


com Agência Brasil



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