Rock in Rio 2011 precisa servir para abrir os olhos do Brasil às exigências do mercado de megaeventos

segunda-feira, 3 de outubro de 2011


por Alex Pinheiro:

"Um dos maiores festivais de música do mundo escancarou falta de planejamento do município do Rio de Janeiro para receber megaeventos, segundo especialistas"


Com atrações nacionais e internacionais atraindo mais de 100 mil pessoas por dia, o Rock in Rio 2011 foi um sucesso de público e um barulho econômico de encher os olhos. A organização ainda não se manifestou a respeito, mas segundo dados da Riotur, organismo dedicado ao Turismo na cidade, a estimativa de impacto é de U$ 419 milhões e milhares de empregos diretos e indiretos, comuns em situações de bolha turística. Das 700 mil pessoas que estiveram na Cidade do Rock, 45% vieram de fora do estado do Rio de Janeiro.

Com ações de impacto social positivo e exercitando um bom comportamento ecológico, a pretensão era de motivar boas práticas ajudando de alguma forma com os problemas globais atuais. Por isso a destinação de toneladas de resíduos para serem transformados em adubo orgânico e outras toneladas para cooperativas de reciclagem do município. Pra se ter uma ideia, foram comercializados por volta de 20 mil massas, mais de 45 mil pizzas e cerca de 12 mil frozens.

Algumas falhas básicas por parte da organização, como um simples prolongamento de cobertura do palco para a ocorrência de chuva, são inaceitáveis em se tratando de um evento internacional, mas não tiraram o brilho do espetáculo tanto quanto os problemas de infraestrutura da cidade.

A falta de planejamento da cidade do Rio de Janeiro para receber grandes eventos, na opinião de especialistas em infraestrutura urbana, ficou nítida. Para eles, o evento mostrou a necessidade do município em se preparar melhor para ser palco de megaeventos.

De acordo com o diretor do Clube de Engenharia e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Jaques Sherique, o projeto de circulação da cidade “precisava ser revisto para que não perturbe, como perturbou, toda a malha viária do entorno. A Lagoa [bairro da zona sul de acesso à Barra da Tijuca, onde foi realizado o evento] estava sempre engarrafada, assim como os acessos da Tijuca [zona norte da cidade]. Não teve planejamento para evitar isso”.

Sherique lamenta que representantes dos governos do estado e do município não tenham discutido, previamente, o assunto com especialistas. Para o engenheiro, o evento tem que servir como lição para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Também para o professor de engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernando MacDowell, a falta de planejamento tem sido um problema recorrente no Rio de Janeiro e um sinal amarelo na preparação da cidade para os jogos mundiais de 2014 e 2016. “Você faz o planejamento, mas não acompanha. Acho que é um dos grandes erros. Os engenheiros e as pessoas que lidam com esse processo devem estar em campo, porque é a única maneira de se aprender e melhorar para a próxima oportunidade.”

Além dos congestionamentos, MacDowell criticou problemas como a espera de mais de cinco horas a que o público foi submetido para usar transporte exclusivo para o evento. Ele também condenou as cobranças de taxas inadequadas, além da falta de água e de mobilidade dos moradores da Barra da Tijuca.


com entrevistas da Agência Brasil



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