por Alex Pinheiro:
"Um 'estudo do meio' deve ser planejado como fundamento pedagógico, não como um acontecimento especial em que a lancheira deve ir carregada do mais perfeito vandalismo alimentar"
A necessidade de sair da escola para ampliar o conhecimento e a experiência cidadã do corpo discente já é um consenso nalgumas plataformas de ensino. São oportunidades experimentais em que podem ser trabalhados diferentes aspectos da educação num favorecimento da interdisciplinaridade. Como o próprio pedagogo português José Pacheco preconiza, “a escola tradicional já morreu!”. Entretanto, observamos ainda um cemitério vivo desse modelo, no Brasil. Ou seja, educadores desatualizados ou reacionários sem causa que bóiam à margem de toda mutação global, barrando qualquer novo ensaio possível.
Da mesma forma como a cultura digital, o turismo pedagógico também assusta esse nicho de educadores. No entanto, sair da escola deveria ser uma oportunidade interessante também para o professor, numa via transitiva. Afinal de contas, como alimenta o pedagogo: “precisamos aprender a aprender”.
Um “estudo do meio” deve ser planejado como fundamento pedagógico, não como um acontecimento especial em que a lancheira deve ir carregada do mais perfeito vandalismo alimentar. Essa atividade sequer deve ser taxada como “complementar”, posto que da mesma forma “complementar” a cereja do bolo também é. A experiência fora dos muros da escola deve ser constante na formação do indivíduo, atrelando valores cidadãos intrínsecos na relação com culturas diferentes, para além da afinidade falida com um andróide em sala de aula.
O turismo pedagógico, ou turismo educacional, tem origem nas tradições européias de viagens culturais ao exterior com programas previamente desenvolvidos para auxiliar na evolução educacional dos estudantes (BENI, 2006, p. 430). Consideremos aqui as particularidades geográficas daquele continente, o que facilitava esse deslocamento sempre acompanhado de um professor especialista no tema da viagem. Uma vez adaptado para o Brasil, esse sistema se direciona para o estudo da regionalidade do próprio país, já que sua dimensão favorece a multiplicidade.
Portanto, reconhecemos esse processo como de mútuo aproveitamento, já que o educador poderá acrescer no seu conteúdo posterior, em sala de aula, vivências abordadas, facilitando o processo do conhecimento. Da mesma forma, o “aprendente” desenvolve aí, além das competências sociais habilitadas no deslocamento turístico, uma relação mais próxima com o educador que, após a experiência em comum, poderá dialogar “na mesma língua”.
Contudo, esta renovação pedagógica na instituição deve ser construída em conjunto, eliminando o máximo possível da burocracia arcaica onde o educador ainda é tratado como um inconsequente e tem, por conta disso, um superior; a direção pedagógica “linha dura”. A pedagogia pede uma administração horizontalizada e agradável para todos os envolvidos, avassalando a gestão repressora que acaba, invariavelmente, refletindo no menor responsável por todas as mazelas políticas: o educando.
Referências:
BENI, Mário Carlos. Análise Estrutural do Turismo. 2006.
Referências:
BENI, Mário Carlos. Análise Estrutural do Turismo. 2006.
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