Turismo X Comercialização da Cultura

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


Turismo em Alta Resolução - Andiara Druzian

"Uma comunidade, corrompida pelo Turismo, facilmente perde suas reais raízes"


Quando uma localidade passa a ser turística, ou decide assumir tal papel, todas as suas características socioculturais são comercializáveis, agregando valores muitas vezes imperceptíveis ao visitante.

Sem problemas! Consumimos cultura diariamente até mesmo sem sair de casa, por meio da televisão, por exemplo. Muitos podem contrariar, mas a novela representa uma forte expressão cultural brasileira.

Talvez pensando de forma conservadora, o tal “comércio cultural” atropelaria os parâmetros da preservação dos modos de vida, correndo riscos da perda de valores e princípios. Esse é o medo. Portanto, expor uma localidade e seus costumes exige certo grau de vigilância.

A despeito disto, muitos polos receptivos exibem ao público suas riquezas e tradições. Assim, de maneira infeliz, é comum observarmos distorções da história e cultura, principalmente quando é percebido o lucro sobre tais movimentações.

Os envolvidos devem se policiar, por exemplo, em relação às informações que são vinculadas no meio turístico e em alguns casos são “jogadas” aos turistas, pois fogem do controle as diversas versões da cultura e da história, muitas vezes distorcidas para atingir a diversidade de público. É fácil acreditar que diante do acesso à informação nos dias de hoje o “equívoco” seria difícil, mas não é verdade. Uma comunidade, corrompida pelo Turismo, facilmente perde suas reais raízes.

A epistemologia, buscando os “porquês” do conhecimento, a validade de suas fontes e, numa visão mais moderna, a crítica dos mecanismos que proporcionam tais informações, devia ser nossa guia enquanto agentes sociais cientes dos riscos que tais distorções podem trazer a uma localidade.

Pois o campo da pesquisa possibilita milhares de segmentos e linhas de pensamentos. Para tentar encontrar explicações sobre as controvérsias dos conteúdos no meio turístico, prefiro puxar um gancho naquele velho ditado: “Quem conta um conto aumenta um ponto”.

Informações corretas e acessíveis é um direito de todos, além do respeito com os personagens envolvidos no processo. Saber valorizar comercialmente a cultura, a ponto de se permitir torná-la um produto sustentável, é a mais ampla oportunidade de desenvolvimento.


Turismo em Alta Resolução
Andiara Druzian (andidruzian@hotmail.com) é formada em Gestão Ambiental, especialista em Educação Ambiental pela UNICAMP, Guia de Turismo de Excursão Nacional e monitora cultural da Estância Turística de Salto.




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