"Observação sobre os vários públicos do maior evento em rede do mundo. Gente de dentro que não sai ver o sol e gente de fora que se impressiona"
A Campus Party tem muito disso mesmo. Trata-se de uma frequência… um estado de espírito. São pessoas de toda a parte, com todos os seus dialetos que, aqui, tem tradução simultânea: tecnologia.
Quem pensa no evento apenas como um observatório das máquinas e seus complexos sistemas, vê pouco daqui. Trata-se também de um ambiente perfeito para explorar pessoas e seus complexos comportamentos.
Logo no começo do dia parecia ter passado a ansiedade de alguns campuseiros, que já começavam a programar horas de sono. Mas quem consegue dormir quando a outra metade resolve fazer a divertidíssima “Madrugada do Software Livre”? Tem lugar pra tudo, menos pra baixo astral.
Mas quem transita só na área restrita aos participantes do evento também perde bastante coisa. O mesmo mestre Jon "Maddog" Hall, venerado no Palco Principal, almoçando uma invejada pizza na Praça de Alimentação. Ou ainda os visitantes da área Expo e Lazer, delirando experiências de futuro.
Foi nesse espaço que vivi a melhor experiência desse terceiro dia na Campus. Assisti ao Batismo Digital da criançada do Centro Educacional Unificado Professor Pr. Artur Alberto de Mota Gonçalves (CEU Meninos). Na porta, aguardando a vez de sua turma, a professora Carmem Campos toda preocupada com o comportamento dos seus alunos que, boquiabertos, observavam atentamente tudo à sua volta. Era quase impossível controlar a molecada.
Entram na sala e correm para as máquinas, sem medo ou vergonha; são nativos digitais. Os campuseiros voluntários começam a oficina e, já esperado, era fácil observá-los atentos ao telão, como também era fácil ver um ou outro sempre um passo à frente da explicação. “Não tenho computador, mas vou na lan house”, disse Geovani, 12, que admitiu ter aprendido ali a criar pastas e salvar documentos.
Depois de ganharem seus diplomas, a criançada é novamente organizada pela professora e vão embora. Mas deixam experiências fundamentais pra quem fica. “É muito bom, a gente se sente importante, sabe?”, comenta o voluntário Henrique.
Pois não é que passando pelo Palco Principal tudo refletia? Rene Silva, 17, que liderou toda a informação partindo de dentro do Complexo do Alemão em pleno processo de ocupação da polícia, ensinava a plateia a lidar com quem? Eles mesmos: os nativos digitais. “No começo todo mundo achou que eram adultos se passando por crianças. Criticaram, mas nem respondia”, disse.
E ainda tinha mais presente. Volney Faustini, editor do e-book "Filhos seguros, pais tranquilos", sentado ao lado de Priscila Gonsales (EducaRede), Ivelize Fortim (NPPI-PUC), Luciana Cavalini (Telefônica) e do próprio Rene Silva, faz todos da mesa se levantarem para apresentar uma opinião totalmente contrária. E a mensagem, através do telão, vem de ninguém menos que Hitler.
Assista à mensagem de Hitler, secretamente gravada por um espião, aqui!
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