
"[...] pessoas que tampouco se preocuparão com o meio ambiente em que vivem pois, antes de qualquer coisa, não se respeitam"
Cabe a nós lutarmos mais um pouco contra a distorção e os impactos gerados pelo turismo descompromissado. Em uma abordagem continuada, voltamos a questionar o embate entre Turismo e sua comercialização, relatando assim alguns dos aspectos que mais me preocupam, enquanto cidadã, e que na maioria das vezes são olhados erroneamente.
Nos fluidos do Turismo, encontramos facilmente diversas armadilhas, como a distorção da cultura local e sua consequente perda de identidade. A comunidade corrompida por qualquer motivo se coloca a mercê de outros desequilíbrios [ou vice e versa]. Sistemicamente, cabe aqui também os desequilíbrios ambientais, num grau de importância e fragilidade.
Exercitando nosso olhar, vamos nos virar ao cenário nacional e, sejamos honestos, a Educação é um dos principais problemas mesmo. A falha na Educação facilmente acarreta problemas sociais dentro de uma comunidade, como a violência por exemplo; pessoas que tampouco se preocuparão com o meio ambiente em que vivem pois, antes de qualquer coisa, não se respeitam. A localidade que não tem preparação social dificilmente estará preocupada com fatores como a sustentabilidade.
Quando tratamos do termo citado acima, tão popular hoje em dia, as pessoas se remetem de forma automática apenas à questão ecológica. Mas sustentabilidade é muito mais abrangente, é manter todos os critérios sociais e ambientais equilibrados. E, como agente de sustentabilidade, me sinto na "obrigação" de deixar aqui registrado a interferência que os problemas de ordem social ou ambiental podem causar em uma cidade turística.
Discorrer sobre o tema conservação ambiental é simples, mas implantar sua real essência não é tão simples assim. Na maioria das localidades, turísticas ou não, encontra-se diversos obstáculos na sua implantação. O grande erro é deixar de olhar para a questão como um todo. Devemos tratar do problema desde a raiz.
Ao se deparar com a desvalorização da cultura local, como a perda das raízes ou até mesmo a comercialização desenfreada, os envolvidos devem olhar para trás e identificar o início do problema e, fatalmente, identificarão as falhas no sistema de ensino desde suas primeiras etapas, deturpando a formação do cidadão. E assim, num segundo momento, olhar para frente e analisar os impactos que tal problema pode causar ou já está causando ao local.
Não adianta apenas bloquearmos o problema se as pessoas continuarão agindo de forma equivocada. A preocupação com a cultura comercializada em um pólo turístico deve ir além, deve ser avaliada constantemente juntamente com outros critérios socioambientais.
Nos mais perfeitos cenários que podemos desfrutar hoje, me desperta a curiosidade em saber se daqui "tantos anos" poderemos aproveitá-los ainda, sendo que na maioria das vezes os seus devidos cuidados fogem até mesmo do conhecimento dos que dali usufruem.
Andiara Druzian (andidruzian@hotmail.com) é formada em Gestão Ambiental, especialista em Educação Ambiental pela UNICAMP, Guia de Turismo de Excursão Nacional e monitora cultural da Estância Turística de Salto.
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