"Não é aceitável que a legislação municipal esteja livre para estabelecer a cobrança do ISS sobre o preço total dos serviços intermediados"
Quando uma agência de viagem vende um pacote turístico composto de bilhete aéreo e hospedagem, por exemplo, a remuneração pelo seu serviço ocorre na forma de comissão paga pela companhia aérea e pelo hotel envolvidos. No entanto, ao cobrar da agência o Imposto Sobre Serviço (ISS), alguns municípios têm considerado como base de cálculo o valor total do pacote turístico e não apenas a comissão recebida pela venda do mesmo.
Preocupado com essa distorção, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB/DF) apresentou projeto (PLS 388/2011- Complementar) para prever em lei critérios para o cálculo do imposto cobrado sobre os serviços prestados pelas agências de viagens. O texto explicita que o ISS seja cobrado exclusivamente sobre a comissão recebida pela agência de viagens pela venda dos produtos turísticos e sobre eventuais taxas de serviço cobradas diretamente ao consumidor.
"Não é aceitável que a legislação municipal esteja livre para estabelecer a cobrança do ISS sobre o preço total dos serviços intermediados. Se a remuneração efetiva das agências de viagem é a comissão a ela paga, não há outra interpretação aceitável que não seja a incidência do imposto exclusivamente sobre essa parcela, nada mais", reforça Rollemberg na justificação da matéria.
A cobrança do ISS é regulamentada pela Lei Complementar 116/2003, que determina ser o imposto de competência dos municípios e do Distrito Federal, podendo variar de 2% a 5% sobre a prestação de serviços discriminados em lista anexa à lei, na qual estão "Serviços relativos a hospedagem, turismo, viagens e congêneres".
Ao citar dados do Ministério do Turismo, Rollemberg afirma que existem hoje no Brasil 12,3 mil agências de viagens, cuja atuação tem contribuído para o aumento da venda de pacotes turísticos nacionais e internacionais. De acordo com o senador, o setor tem aproveitado a estabilidade econômica, o aumento de renda da população e a valorização do Real para ampliar as vendas de produtos turísticos, o que fortalece a economia do país.
O projeto encontra-se na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), aguardando designação de relator, e será depois encaminhado a exame da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR).
Agência Senado
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