por Alex Pinheiro:
"Envolvimento de todo o povo de São Cristóvão resultou na eleição da Praça São Francisco como Patrimônio Cultural da Humanidade"
O Brasil começou muito antes da chegada dos portugueses por aqui. Entretanto nos perdemos em referências históricas quando o assunto são os povos nativos. Até a vinda de Martim Afonso de Sousa, os únicos núcleos “civilizados” existentes na costa brasileira eram as feitorias, com alguma fortificação para enfrentar os ataques dos “invasores” e dos próprios nativos. Nessas feitorias ficavam alguns portugueses, encarregados de gerir os produtos da terra, principalmente pau-brasil, depois transportados para Portugal.
Foi Américo Vespúcio, que veio na segunda expedição exploradora de 1503, quem fundou, já em 1504, a primeira feitoria na costa brasileira: a de Cabo Frio, onde ficaram apenas vinte e quatro homens.
Somente em 1530, preocupado com que outros povos ocupassem terras brasileiras, Dom João III enviou uma expedição comandada por Martim Afonso de Sousa, a quem conferiu amplos poderes em três cartas régias, para dar início à efetiva colonização. Martim Afonso fundou Vila de São Vicente (1532) e instalou o primeiro engenho de açúcar, iniciando-se o plantio do que se tornaria a principal fonte de riqueza produzida no Brasil.
| A poética Praça São Francisco em fotografia de Mario Sousa |
Então, em 1590, sob comando de Cristóvão de Barros, foi fundada São Cristóvão, a 4ª cidade mais antiga do país e primeira capital de Sergipe. Pois é dessa história que a Praça São Francisco está repleta. Ela representa o coração de um povo, sendo o abrigo das estruturas políticas, judiciais e religiosas. O espaço foi construído no final do século XVI e início do século XVII e permanece preservado, ao longo desses mais de quatrocentos anos, numa rica fonte de memória e identidade.
Esse pedacinho de São Cristóvão reserva toda a influência da União Ibérica, sendo o único registro brasileiro desse curto momento histórico. Portanto, é possível observar influências artísticas e arquitetônicas tanto portuguesas quanto espanholas. Atualmente é o palco principal das manifestações artístico-culturais. O folclore é um dos exemplos de como a área é utilizada pelo seu povo; as taieiras, caceteiras, langas e outros grupos de São Cristóvão sentem na Praça o clima perfeito para realizar eventos e atrair a atenção da população local.
Tanta sinergia só renderia bons frutos. Pois, recentemente, esse trabalho conjunto de preservação e manutenção do orgulho local foi coroado com a eleição da Praça São Francisco como Patrimônio da Humanidade.
Abaixo, num belíssimo documentário, é possível aprender com o envolvimento de toda a população em torno da campanha, apresentando os equipamentos e as ferramentas utilizadas para a conquista do título.
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