
"Estamos em busca dos mais simples, ou enigmáticos, e adormecidos sentidos"
Às vezes, enquanto profissional do Turismo, pergunto o que me prende a essa vida maluca sem rotina. Em nossa “aventura” movida pela ausência da rotina, o óbvio é não fazer o óbvio, é buscar aflorar e proporcionar aos turistas os mais desconhecidos ou adormecidos sentidos. E a dúvida sobre a aventura diária continua.
O despertar do anseio pelo desconhecido é o que transforma curiosos em turistas. Essa busca é cada vez mais nítida, pois somos cheios de necessidades, muito mais no mundo atual absorvido pelo capitalismo. Com isso, precisamos reavivar nossos sentidos; aqueles cinco sentidos que aprendemos na escola e hoje se perdem na corrida e desatenta... rotina.
Quando nos deslocarmos do método robótico de vida que levamos, se nos permitirmos, seremos ligados à mais louca das reações fisiológicas: a emoção. A visão é a força motriz da “emoção”, é a que dá o primeiro passo para a concretização do trabalho de todo o trade.
Como prega o cientista Carlos Rodrigues Brandão, nossos olhos deixam de enxergar quando estamos à frente de algo desconhecido. Prefiro acrescentar, portanto, que a nossa visão necessita de novos olhares para se manter viva. Enquanto turista, é a necessidade de sair do obvio dos nossos olhos. Enquanto profissional, é a arte de aprender a olhar tudo com outros olhos.
E é assim que se inicia um dos processos mais enigmático do Turismo; o despertar dos sentidos adormecidos. O “sentir” do atrativo turístico não requer o tato, pode-se começar apenas com uma daquelas respirações profundas, com aquela sensação de chegada, na qual sentimos a pele respirar também. Os sentidos não estão sozinhos, e sim bem ligados, numa carreata de novas percepções.
O sentir, o tocar, os sons mais aconchegantes de se ouvir e o cheiro de casa que podemos encontrar por mais distantes que estamos do nosso lar é resultado de uma corrente viva que trabalha no planejamento e execução da experiência turística, desde a agência de viagens até o guia de turismo receptivo.
Pra saber se todos os seus cinco sentidos foram despertados, basta identificá-los nas memórias daquelas tais “escapadas” da rotina. Memória que se torna viva, que nos trás novamente o gosto, talvez não do mais requintado prato, mas do melhor saboreado.
Posso chamar tudo isso de missão, e deixo a você, leitor, a percepção mais aguçada de nossa ação diária. Estamos em busca dos mais simples, ou enigmáticos, e adormecidos sentidos... Dos cinco talvez... Ou mais aqueles tantos outros que fogem da percepção humana.
Andiara Druzian (andidruzian@hotmail.com) é formada em Gestão Ambiental, especialista em Educação Ambiental pela UNICAMP, Guia de Turismo de Excursão Nacional e monitora cultural da Estância Turística de Salto.
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