
"Em terra firme, uma vez por semana, é hora de se conectar com as raízes"
| Dubrovnik, Croácia |
Um dia especial que recompõe a energia de meu espírito, andarilho nesses longos corredores do navio buscando uma face que seja um tanto familiar. Saudade esta que se mata um pouco aos domingos.
Ah! Tão desejado domingo! Dia em que exatamente às nove horas da manhã aqui na Itália (e quatro horas da manhã no Brasil), o navio atraca no porto, e é possível ouvir o som das correntes descendo e o trepidar de toda a cabine onde durmo, minhas nécessaires caindo em cima da escrivaninha, em frente de minha beliche. Tão desejado domingo, em que posso descer as escadas do 1º andar, percorrer o Deck Zero até a saída, descer do navio pela rampa de metal e passar pelos seguranças rumo à falsa liberdade. Corro por entre os passageiros que estão de retorno às suas casas e como que quase igualmente aos outros domingos, eu posso correr àquela banquinha e pedir, em italiano, um cartão telefônico para falar com aqueles que com paciência me amam e aguardam meu retorno.
Ver e falar com aquele que também está num navio de cruzeiros, e que partilha da mesma vontade de reencontro, aquele por quem faço planos de um futuro bom. Aquela que, durante os 19 anos que vivemos juntas, tudo terminava em briga, deixa aqui dentro uma saudade enorme; que mesmo brigando, sempre me protegeu e continua me dando forças a todo o momento; a genitora dos meus sonhos, que chorou ao me ver partir; que sorria por fora, para confortar uma filha no mesmo instante em que por dentro se esvaíam lágrimas, pensando como seriam aqueles oito meses distante da filha.
Ainda a figura masculina, o pai que sempre esteve nos bastidores de cada vitória; a primeira aula que dei, aquele primeiro desastre atrás do volante, o vestibular, a faculdade e, por último, o aeroporto e o mundo; aquele que sempre me empurrou para frente de cabeça erguida. E é claro que não posso esquecer do caçula da família, o pequeno grande vendedor de alegrias da casa que ao falar no telefone pergunta: “Tia! Você está no avião ou no barco?!". Ele que em minha cabeça é lembrança num sorriso malandro de uma criança maravilhosa.
E este é o meu desejo de todos os domingos. Mas hei que as horas vão passando e quando me encontro já está em tempo de retornar "à nave" conhecer quais serão as pessoas que iremos, com emoção renovada, tocar. Seguimos, então, ao teatro, para mais uma entrada de boas vindas com nosso diretor de cruzeiro, que também é brasileiro, Naim!
Então, quando por aqui são seis horas, posso ir até à proa da nave e ver o belíssimo pôr do Sol de Veneza. Encontrar e me perder na paisagem formada pelas belas casinhas coloridas, umas do lado das outras, os barzinhos e até os varais com as roupinhas penduradas. Aquelas praças, parques e os grandes blocos separados pela água e unidos por pontes; extraordinário! Tudo registrado, pela máquina e pela alma, que nunca será revelada, porque seria preciso mais que isto. Tanto que o desejo é ligar novamente a cada um e contar cada minúcia do que minhas retinas acabaram de capturar.
Decidi contar pra vocês.
Até a próxima. Bon Voyage!
"A vida é um grande ponto de interrogação. Cada ser humano, seja ele intelectual ou analfabeto, é uma grande pergunta em busca de uma grande resposta!"
Melize Bombonatti (melizebombonatti@hotmail.com) é Bailarina, Atendente de serviços turísticos e estudante de Educação Física que, no último ciclo, jogou tudo pro alto para conhecer melhor o mundo e as experiências que somam relações entre o Turismo, a Educação Física e os Cruzeiros Marítimos.
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